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sexta-feira, 11 de março de 2011

Carrossel Movediço

Parecia que aquela pedra
nascera para dar de encontro a ele
Vivendo os segundos como a grande dádiva

Crescendo sob tropas de ossos
desciam a margem da ladeira
Cumpriam o destino?
Cumpriam o acaso?

Quem não segura uma estrela
não merece viver

Ser jogado no mundo
é tudo aquilo que podemos ser

Édipo Rei sorri zombeteiro,
seus olhos em sangue celebram
a grande apoteose de ser grego

Diante do massacre dos deuses
em meio a lágrimas
sorri

A grande moderação é fazer rir
- entrementes -
Ser tudo aquilo que ultrapassa a risadaria
Num vôo assaltar a totalidade radical
Na eternidade rodar entre nada e nada
Ter coragem de dizer o indizível – anaquilamento
O espiral sem inicio e nem fim

Das dores nasceram os potros
Os selvagens leopardos espreitam
Seus quadris vagueiam num balanço sensual

E a corda bamba do sentido
dissipa-se onde palavras são zumbidos de abelhas

Correria de olhos fechados
Na balça de Creonte
o jogo será jogado
Na essência da linguagem arremessados
para onde já sempre estivemos

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O nascimento de Jonas

De repente aquela calma
quente e silenciosa
-a qual me acostumara –
causava dor.

Agora chegada a hora
inquieto me revirava.

Então, em contrações
uma força a luz me levava.
A proximidade de tal intensidade
- A fenda era o sol –
meu coraçãzinho disparava.

Quis retroceder,
como era calma e quente
minha casa.
Doce conforto,
abrigo mítico.

Mas era inexorável,
ine-lutável.
O tempo
era-é-será irreversível.

Num átimo,
minha casa desapareceu.
E milhões de
sensações,
intuições e
turvas imagens
arrebataram meu corpinho.

Para Memórias Póstumas de Jonas:
http://poemadia.blogspot.com/2011/01/memorias-postumas-de-jonas.html

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Quando toca o fundo sem fundo a tendência é flutuar de volta a morada: os cumes dos cumes


Se os movimentos da existência levam até o fundo de abismos onde o negro gera formas bizarras de luz própria, onde o astro rei não toca sua língua de fogo-fótons, brincando com as probabilidades e com os limites um sorriso entre úmidas lagrimas deve compreender a necessária subida – retorno - aos cumes dos cumes onde o retrato estático, mas vivo de cadatodomovimentonãomovimento se mostra como um expressionismo realista.
Ser todos os pontos desses abismos e desses cumes suportando a dorextasyprazer, enquanto não se torna definitivamente terra, ar ou poeira de estrelas.
A bolinha de intensidade infinita explode e seretraiseretraiexpande eternamente, mas eternamente é uma concepção que não cabe a esse ultra-retrato absoluto.
Ver
Ser
Ventilar
Mente limpa
Turbilhão desvairado
O calor e frio invadindo as narinas, soluços: Se isso é a vida então de novo.
Porque na verdade não existe fissão ou fusão é sempre o absoluto, não importa se o ego nascecrescemorre piscando num segundo, oitenta anos, as criançasvelhosadultos devem sempre lembrar e sorrir diante do arrebatamento de cadatodohenhumsernãoseraquémentrealémtranscendentalaospréviosconceitos unidade inexorável insomável indivisível inmultiplicável insubtraivel.
Serpente de poder
Aleph verdadeiro
Aleph que é o Aleph não é o Aleph e é tudo que possa haver aquém entre além AlephsnãoAlephs
O progressivo som das folhas girando no outono, o progressivo magma invadindo as rochas, fumaças da chuva negra transformando tudo em pedra, mas dura só mais um segundo, centenas de anos.
Então eu vejo um cometa estudando o corpo sem órgãos, escrevendo tal estado de transe poético minha boca nesse estágio começa a tremer o meu pé bate furiosamente o solo lágrimas encharcam minhas concavidades oculares e penso estragando por um segundo o transe num embate pensamento transe transe pensamento que esse é realmente um grande momento de estar aí, de ser para morte, em que eu posso sentir o frêmito supra humano e faz valer a pena cada abismo cada degrau que se quebra aos meus pés cada flutuação de subida- retorno – aos cumes dos cumes.

Caterpillar butterfly butterfly caterpillar caterpillar butterfly rasteja lagarta voa borboleta rasteja borboleta voa lagarta rastejandovoandoborboletaslagartas.
Esbarra no vento caterpillarbutterfly acende as velas voa descontrolada minha querida lagarta as tuas asas são de fogo elas dançam desvairadas com beijos do vento.

Enquanto nas quatro estações o violino chora a potência aos poucos se enfraquecem os dedos então como flutuando de volta aos cumes dos cumes rasga novamente um acorde.
Inicio e fim se confunde caterpillarbutterfly.

Acesse a oposição em espiral publicada simultâneamente deste poema:
http://poemadia.blogpost.com